Pesquisas Inconformadas

quinta-feira, março 17, 2011

Fórum das Gerações

in http://oinconformado.blogspot.com


Permitam que partilhe alguns pensamentos convosco:

1- Pensava que este Fórum das Gerações era para dar seguimento, ou seja produzir algo, com base no resultado da manifestação - mas, tirando algumas sugestões, como o voto em branco, só vejo, por um lado, a malta a continuar a reclamar e, por outro, tentativas de aproveitamento deste fórum para novas manifestações réplica - eu temo que isto seja para desacreditar o fórum e tentar dispersar energias e devia ser inibido aqui - não enquadro neste tema as denúncias de novas situações gravosas;

2- Não sei se já leram um texto que é suposto ser da autoria do Mia Couto (não consegui confirmar). Se é, e resumindo os comentários que fiz nas páginas dos meus amigos, é bastante lírico mas peca por grandes defeitos e é tão oco como as soluções que ele apresenta (zero);

3- Eu estou disposto a participar em movimentos cívicos que promovam a melhoria das nossas condições de vida e o retorno da soberania ao estado (e ao povo) português. Tenho algumas soluções que apresentarei, se não neste post, nuns próximos se não couber tudo (até porque não as apontei todas, portanto é normal que me vá lembrando durante os próximos dias):


A) Reformulação completa das regalias dos políticos. Não há dinheiro, pois não? Então acaba-se com as reformas douradas. Deputados passam a receber o salário mínimo nacional - SMN (vão ver como este passa dos 500€ num instante). 1º Min. e Presid. da Assembleia recebem 2 SMN e o P. República 3. Receberão esse mesmo pagamento quando se reformarem, aos 65 anos (ou na idade que for decretada, na altura). Acabam-se com as reformas por inteiro ao fim de 12 anos como deputado. A nação agradece, mas em época de apertar o cinto, recebem a reforma por completo quando completarem 18 anos de serviço, mas nunca antes da idade de reforma. Se atingirem a reforma antes de completar os anos de serviço, recebem o mesmo desconto que os restantes funcionários públicos (x% por cada ano). Passam a ter motorista particular, assim de cabeça, apenas aqueles 3 VIP. O motorista, se não for funcionário público e sim privado, apenas receberá do estado a parte correspondente ao de um ordenado de um funcionário público com as mesmas funções.

B) Deputados, passam a metade. Creio que somos, comparativamente tanto ao número de pessoas, como à área geográfica, o país da Europa com mais deputados. Que sentido faz aumentar o número de deputados desde 1975, se perdemos as colónias? Portugal agora é Portugal Continental e as ilhas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira (no comments quanto a este último), já não é Portugal + PALOP + Macau + Timor.

C) Remove-se a limitação de um funcionário público deixar de poder receber mais do que o PR. Mas, tem de ser o PR a autorizar e a Assembleia a ratificar.
D) Os Deputados passam a poder ter apenas X auxiliares - à falta de palavra melhor- para o auxiliarem, digamos 2 ou 3. Tb recebem o ordenado mínimo.

D) A tributação de impostos, para todos os cidadãos, passa a ser sobre TODOS os tipos de remuneração - despesas de representação, deslocação, remunerações variáveis, tudo - e não praticamente apenas sobre o base. A ideia não é sacar mais, como estes governos têm feito só a alguns - os que pouco, ou nada, recebem para além do salário base - e, com isto, conseguir efectivamente baixar a carga fiscal naqueles que não usufruem de "complementos" de ordenado. Impede que alguns e outros tenham uma mansão, com helicóptero, mas a receberem o SMN! O carro é de serviço? Custou quanto? Custo esperado com pneus, combustível, revisões, etc? Leasing a quantos anos? Ora somando os custos e dividindo pelo número de meses - eu sei que a fórmula pode ser trabalhada - permite perceber quanto significa aquele Renault Clio, ou aquele Audi A6 (ou aquele Helicóptero), como complemento no vencimento daquele trabalhador, ou daquele gestor - acaba-se rapidamente com os carros topo de gama como carros de serviço, para disfarçar lucros. Se a empresa tem dinheiro para comprar um carro acima da média, então é bom que isso se veja nos resultados líquidos da mesma e não apenas no EBITDA.

E) Vedar o acesso, durante pelo menos 5 a 10 anos, a deputados poderem exercer cargos proeminentes em empresas públicas, ou onde o estado seja, quer accionista, cliente, fornecedor, ou tenha uma relação de interesse directo ou indirecto em 1º grau (onde se exclui a colecta de impostos, pois senão o estado era interessado em todas as empresas). Podem ir para o BCP, se o estado não tem lá acções, mas não podem ir para a SLN ou para a CGD.

F) Grandes obras públicas passam a ser referendadas. Consoante a x% do PIB que esteja envolvido na despesa do estado, o referendo só é considerado aprovado se aceite por 50 + X% - Exemplo, o estado para o TGV iria gastar 10% (não pretendo ser exacto) do PIB, então o referendo para passar teria de ser aprovado por 50 + 10 %, ou seja, 60% da população. Quanto maior o esforço financeiro, maior a necessidade de fazer com que as pessoas se envolvam e aprovem. Se o estado fosse gastar 0,5% do PIB, então o referendo teria de ser aprovado por 50,5% da população (votante).

G) Eleições em que a abstenção, votos em branco e nulos, seja superior a 33%, ou que, sendo abaixo, seja o maior valor - o maior "partido", chamemos-lhe assim, ditarão uma nova volta. Se à segunda volta a abstenção continuar demasiado alta deixa de haver um vencedor directo. Deverão os partidos coligar-se de maneira a obterem uma maioria representativa e será o PR, após consulta com todos os partidos com assento parlamentar, a promulgar o vencedor.

H) O Estado reformula a lei de financiamento dos partidos, baixando para metade a comparticipação, obrigando-os a trabalhar para o voto e removendo uma série de benesses que não têm cabimento. TODOS os donativos têm de ser declarados e transparentes. Se a D. Branca deu 500€, em dinheiro, então é emitido um recibo. Se um Banco Privado deu 50.000€, então é emitido um recibo. Esses donativos devem constar do site dos partidos em local facilmente identificável e visível/acessível ou, caso o partido não tenha site, no site da AR.

I) Criar uma lista negra de OFF-Shores que sejam paraísos fiscais e que sirvam para lavagem de dinheiro. É lícito que uma empresa, ou particular, pague o mínimo de impostos possível, mas sem engenharias financeiras. Todas as operações que sejam feitas por esses paraísos fiscais devem pagar um imposto que a tal desencoraje. Dessa lista negra devem constar todos os off-shores que sirvam para esconder transacções e não permitam perceber por onde andou o dinheiro.

J) Aumentar os incentivos à produção e acabar com os subsídios continuados. Tem uma quinta e recebe um subsídio para plantar morangos, ou criar escaravelhos? Recebe da 1ª vez um subsídio com base na produção esperada. No ano/colheita a seguir, recebe um incentivo consoante o que produziu. Se houver uma calamidade continua-se a recorrer aos fundos de emergência, mas tem de haver fiscalização para verificar quem sofreu e quem se está a aproveitar. Os fiscais devem trabalhar em todo o país e não apenas na sua área geográfica e serão escolhidos por sorteio e notificados no dia anterior. O sorteio deve ser sigiloso mas acessível aos gabinetes da PJ, para que possam facilmente identificar situações de corrupção. Os fiscais são obrigados ao dever de sigilo (como os advogados). Se um fiscal for condenado por quebra de sigilo, ou corrupção, entre outros, será, tal como um advogado é expulso da ordem, impedido de exercer tais funções.

K) Introduzir na Lei, com efeitos punitivos, o conceito de Má Fé (no seu sentido lato). Um empresário lesou outro, ou o estado, por má fé, então ser-lhe-ão exigidos danos punitivos elevados, nunca inferiores a 100% do lucro obtido (ou dos  ganhos indirectos) mais as coimas previstas pela lei, as custas, etç. A acção de má fé pode ser julgada em conjunto com outras acusações, mas deve ser considerada à parte. Um namorado ciumento com o seu Todo-o-Terrenho despista-se contra o Smart da namorada. Pode, mediante as atenuantes, ou não, ser ilibado no que respeita ao código da estrada, mas se for provado que agiu de má fé (por exemplo a estrada tinha óleo e perdeu o controle, mas ele saber que a estrada estava com óleo), será, independentemente das coimas aplicáveis relativamente ao código da estrada, punido na proporção do dano que causou ao veículo, do tempo que privou a (futura ex?) namorada de um bem que era seu e, caso assim se prove, dos danos outros (morais, físicos, etc). Um empresário criou um esquema de lavagem de dinheiro e, por má fé, antes de ser levado a julgamento colocou/vendeu (por uma quantia simbólica) todos os seus bens em nome de terceiros (mulher, filhos, etc), o estado pode anular a operação e cassar os bens que eram seus. Mais ainda, se se provar que outros auferiram indirectamente dos ganhos, mesmo que não sabendo (o desconhecimento da lei não iliba) em proporção adequada (um jantar de amigos dificilmente se enquadrará, mas o carro e a casa novos do filho, ou da mulher, ou da amante, por exemplo, enquadram-se) o estado pode exigir o retratamento voluntário (para dar tempo, por exemplo, de alugar uma casa sem haver despejo) dessa situação ou, caso não haja boa-vontade por parte dos notificados, acção judicial imediata. Incluo também aqui as cunhas. Este é, para mim, o grande entrave dos países latinos relativamente aos países do norte da europa. Não que não haja nos outros, não acredito em tal coisa, mas a sensação da proporção é gritante. Se houver uma queixa em tribunal de trabalho, ou em cível caso o TT não dê uma resposta em tempo útil a definir, de suspeitas de favorecimento (cunha) deve ser imediatamente colocado o trabalhador em suspensão de funções com direito a retribuição. Se for considerado favorecimento, deverá devolver, se antes não tiver pedido voluntariamente a suspensão de ordenado, tudo o que auferiu e será alvo, tal como dos favorecedores, de despedimento com justa causa (não querem facilitar os despedimentos? então não fica mais fácil e justo que isto). As queixas podem ser anónimas mas, caso não sejam, não só não pode ser a pessoa que efectuou a denúncia, alvo de sanções, como deve ser protegida. No caso da denúncia não se revelar frutuosa, deverá a mesma ser justificada sob pena de acção judicial. O recrutamento deve ser feito de forma transparente e acessível a todos. Todos os processos e os seus passos e resultados devem ser guardados em formato digital e de forma segura, acessível durante pelo menos 6 meses.

E acho que vou dormir... cumprimentos e continuem a luta pela igualdade, mas não se esqueçam de destacar aqueles que o merecem.

sexta-feira, março 11, 2011

Manif de desagrado de amanhã, dia 12

in http://oinconformado.blogspot.com/

Só para vos dizer que aqui o je, vai estar lá, nem que chova a potes!

Para os renitentes, pensem nisto, basta aparecerem por lá, aproveitem e estiquem as pernas! Não precisam de gritar, embora o barulho ajude a serem ouvidos, não precisam de levar cartazes... basta aparecerem!

quinta-feira, março 03, 2011

Herman Hesse

in http://oinconformado.blogspot.com

Siddharta

- Estás a brincar?
- Não, digo-te o que descobri. O conhecimento pode ser comunicado, mas a sabedoria não. Uma pessoa pode encontrá-la, vivê-la, ser fortificada por ela, operar maravilhas por seu intermédio, tudo menos comunicá-la e ensiná-la. Desconfiei disso quando ainda era novo e foi isso que me afastou dos mestres. Tive um pensamento, Govinda, que igualmente poderá ser brincadeira ou uma tolice: em toda a verdade o oposto é igualmente verdade. Por exemplo, uma verdade só pode ser exprimida e envolta em palavras se for parcial. Tudo quanto pode ser pensado e exprimido por palavras é parcial, apenas metade da verdade; falta-lhe totalidade, integralidade, unidade.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Intervenção Política - Artigo de Clara Ferreira Alves

in http://oinconformado.blogspot.com/

Artigo de Clara Ferreira Alves, no Expresso


Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, em governação socialista, distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora continua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido.

Para garantir que vai continuar burro o grande "cavallia" (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo, e o país será o pátio de recreio dos mafiosos.

A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado.

Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência do Ministério da Saúde Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Alguns até arranjaram cargos em organismos da UE.

Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?

O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.

Ninguém quer saber a verdade.

Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Clara Ferreira Alves - "Expresso"
Nem a propósito! Já vociferei várias vezes contra todo este seguidismo jornalístico, em que "jornalistas" (lembro-me assim de cabeça o Marinho Pinto a perguntar à MMGM se conhecia o seu código deontológico) se "prostituem" a troco de uns dinheiros. Apraz-me ver que, mesmo dentro da "classe", há quem realmente tenha classe e se indigne contra o que é por demais evidente. Hoje a maioria dos jornais são propriedade de grandes grupos financeiros e servem os interesses dos mesmos, com a agravante de (pasme-se) terem no entanto colunas de opinião em que o(s) jornalista(s), mas apenas aquele(s), pode(m)-se exprimir livremente para que se possa silenciar as vozes mais críticas e "ilustrar" (referência ao ilusionismo) que há, de facto, liberdade de expressão naquele jornal (mesmo que circunscrita a uma mera casa decimal na percentagem de artigos que poluem o mesmo).
É só mais uma pedra no caminho.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Intervenção Política - esta é a imagem de PORTUGAL lá fora!

in http://oinconformado.blogspot.com/

O texto é um pouco extenso, mas vale a pena ler na íntegra.

Source: Pravda.ru

Foram tomadas medidas draconianas esta semana em Portugal, pelo Governo liberal de José Sócrates.

Mais um caso de um outro governo de centro-direita pedindo ao povo Português a fazer sacrifícios, um apelo repetido vezes sem fim a esta nação trabalhadora, sofredora, historicamente deslizando cada vez mais no atoleiro da miséria. E não é por eles serem portugueses.

Vá o leitor ao Luxemburgo, que lidera todos os indicadores socioeconómicos, e vai descobrir que doze por cento da população é portuguesa, oriunda de um povo que construiu um império que se estendia por quatro continentes e que controlava o litoral desde Ceuta, na costa atlântica, tornando a costa africana até ao Cabo da Boa Esperança, a costa oriental da África, no Oceano Índico, o Mar Arábico, o Golfo da Pérsia, a costa ocidental da Índia e Sri Lanka.

E foi o primeiro povo europeu a chegar ao Japão....e à Austrália. Esta semana, o Primeiro Ministro José Sócrates lançou uma nova onda dos seus pacotes de austeridade, corte de salários e aumento do IVA, mais medidas cosméticas tomadas num clima de política de laboratório por académicos arrogantes e altivos desprovidos de qualquer contacto com o mundo real, um esteio na classe política elitista Português no Partido Social Democrata (PSD) e Partido Socialista (PS), gangorras de má gestão política que têm assolado o país desde anos 80.O objectivo? Para reduzir o défice. Porquê? Porque a União Europeia assim o diz. Mas é só a UE? Não, não é.

O maravilhoso sistema em que a União Europeia se deixou sugar, é aquele em que as agências de Ratings, Fitch, Moody's e Standard and Poor's, baseadas nos Estados Unidos da América (onde havia de ser?) virtual e fisicamente, controlam as políticas fiscais, económicas e sociais dos Estados-Membros da União Europeia através da atribuição das notações de crédito.Com amigos como estes organismos e ainda Bruxelas, quem precisa de inimigos?Sejamos honestos.

A União Europeia é o resultado de um pacto forjado por uma França tremente e apavorada com a Alemanha depois das suas tropas invadiram o seu território três vezes em setenta anos, tomando Paris com facilidade, não só uma vez mas duas vezes, e por uma astuta Alemanha ansiosa para se reinventar após os anos de pesadelo de Hitler. A França tem a agricultura, a Alemanha ficou com os mercados para a sua indústria.E Portugal? Olhem para as marcas de automóveis novos conduzidos pelos motoristas particulares para transportar exércitos de "assessores" (estes parecem ser imunes a cortes de gastos) e adivinhem de que país eles vêm? Não, eles não são Peugeot e Citroen ou Renault. Eles são os Mercedes e BMWs. Topo-de-gama, é claro.

Os sucessivos governos formados pelos dois principais partidos, PSD (Partido Social Democrata da direita) e PS (Socialista, do centro), têm sistematicamente jogado os interesses de Portugal e dos portugueses pelo esgoto abaixo, destruindo a sua agricultura (agricultores portugueses são pagos para não produzir!!) e a sua indústria (desapareceu!!) e sua pesca (arrastões espanhóis em águas lusas!!), a troco de quê?O quê é que as contra-partidas renderam, a não ser a aniquilação total de qualquer possibilidade de criar emprego e riqueza numa base sustentável?Aníbal Cavaco Silva, agora Presidente, mas primeiro-ministro durante uma década, entre 1985 e 1995, anos em que despejaram biliões de euros através das suas mãos a partir dos fundos estruturais e do desenvolvimento da UE, é um excelente exemplo de um dos melhores políticos de Portugal.

Eleito fundamentalmente porque é considerado "sério" e "honesto" (em terra de cegos, quem vê é rei), como se isso fosse um motivo para eleger um líder (que só em Portugal, é!!) e como se a maioria dos restantes políticos (PSD/PS) fossem um bando de sanguessugas e parasitas inúteis (que são), ele é o pai do défice público em Portugal e o campeão de gastos públicos.

A sua "política de betão" foi bem idealizada mas, como sempre, mal planeada, o resultado de uma inapta, descoordenada e, às vezes inexistente no modelo governativo do departamento do Ordenamento do Território, vergado, como habitualmente, a interesses investidos que sugam o país e seu povo.Uma grande parte dos fundos da UE foram canalizadas para a construção de pontes e auto-estradas para abrir o país a Lisboa, facilitando o transporte interno e fomentando a construção de parques industriais nas cidades do interior para atrair a grande parte da população que assentava no litoral.

O resultado concreto, foi que as pessoas agora tinham os meios para fugirem do interior e chegar ao litoral ainda mais rápido. Os parques industriais nunca ficaram repletos e as indústrias que foram criadas, em muitos casos já fecharam.

Uma grande percentagem do dinheiro dos contribuintes da UE vaporizou-se em empresas e esquemas fantasmas. Foram comprados Ferraris. Foram encomendados Lamborghini, Maserati. Foram organizadas caçadas de javalí em Espanha. Foram remodeladas casas particulares. O Governo e Aníbal Silva ficaram a observar, no seu primeiro mandato, enquanto o dinheiro foi desperdiçado. No seu segundo mandato, Aníbal Silva ficou a observar os membros do seu governo a perderem o controle e a participarem.Então, ele tentou desesperadamente distanciar-se do seu próprio partido político. E ele é um dos melhores?Depois de Aníbal Silva veio o bem-intencionado e humanista, António Guterres (PS), um excelente Alto Comissário para os Refugiados e um candidato perfeito para Secretário-Geral da ONU, mas um buraco negro em termos de (má) gestão financeira.

Ele foi seguido pelo excelente diplomata, mas abominável primeiro-ministro José Barroso (PSD) (agora Presidente da Comissão da EU, "Eu vou ser primeiro-ministro, só que não sei quando") que criou mais problemas com o seu discurso do que com os que resolveu, passou a batata quente para Pedro Lopes (PSD), que não tinha qualquer hipótese ou capacidade para governar e não viu a armadilha. Resultando em dois mandatos de José Sócrates, um ex-Ministro do Ambiente competente, que até formou um bom governo de maioria e tentou corajosamente corrigir erros anteriores. Mas foi rapidamente asfixiado pelos interesses instalados.Agora, as medidas de austeridade apresentadas por este primeiro-ministro, são o resultado da sua própria inépcia para enfrentar esses interesses, no período que antecedeu a última crise mundial do capitalismo (aquela em que os líderes financeiros do mundo foram buscar três triliões de dólares (???) de um dia para o outro para salvar uma mão cheia de banqueiros irresponsáveis, enquanto nada foi produzido para pagar pensões dignas, programas de saúde ou projetos de educação).E, assim como seus antecessores, José Sócrates, agora com minoria, demonstra falta de inteligência emocional, permitindo que os seus ministros pratiquem e implementem políticas de laboratório, que obviamente serão contra-producentes.

O Pravda.Ru entrevistou 100 funcionários, cujos salários vão ser reduzidos. Aqui estão os resultados:Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou trabalhar menos (94%).Eles vão cortar o meu salário em 5%, por isso vou fazer o meu melhor para me aposentar cedo, mudar de emprego ou abandonar o país (5%).Concordo com o sacrifício (1%)Um por cento! Quanto ao aumento dos impostos, a reação imediata será que a economia encolhe ainda mais enquanto as pessoas começam a fazer reduções simbólicas, que multiplicado pela população de Portugal, 10 milhões, afetará a criação de postos de trabalho, implicando a obrigatoriedade do Estado a intervir e evidentemente enviará a economia para uma segunda (e no caso de Portugal, contínua) recessão. Não é preciso ser cientista de física quântica para perceber isso.

O idiota e avançado mental que sonhou com esses esquemas, tem os resultados num pedaço de papel, onde eles vão ficar!!

É verdade, as medidas são um sinal claro para as agências de rating, que o Governo de Portugal está disposto a tomar medidas fortes, mas à custa, como sempre, do povo português.Quanto ao futuro, as pesquisas de opinião providenciam uma previsão de um retorno do Governo de Portugal ao PSD, enquanto os partidos de esquerda (Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português) não conseguem convencer o eleitorado com as suas ideias e propostas.

Só em Portugal, a classe elitista dos políticos PSD/PS seria capaz de punir o povo por se atrever a ser independente. Essa classe, enviou os interesses de Portugal para o ralo, pediu sacrifícios ao longo de décadas, não produziu nada e continuou a massacrar o povo com mais castigos. Esses traidores estão a levar cada vez mais portugueses a questionarem se não deveriam ter sido assimilados há séculos pela Espanha.Que convidativo, o ditado português "Quem não está bem, que se mude". Certo, bem longe de Portugal, como todos os que podem estão a fazer. Bons estudantes a jorrarem pelas fronteiras fora. Que comentário lamentável para um país maravilhoso, um povo fantástico e uma classe política abominável.
Timothy Bancroft-Hinchey
Pravda.Ru

Intervenção política - Novas oportunidades

Este é da minha inteira autoria...

Estou a ver que Portugal vai pelo mesmo caminho que o programa de Novas Oportunidades criado pelo governo do Inginheiro Fócrates. Podíamos aproveitar a oportunidade e usá-la realmente em nosso proveito, mas não, vamos simplesmente fazer um face lift, à lá Lili Caneças... não deixa de ter 99 anos, mas parece ter 49. Tal como o programa Novas Oportunidades veio dar (sim a palavra é DAR) o "canudo" do 9º ou 12º anos a quem realmente (não digo todos) não tem mais do que, nem merecia, a 4ª classe, ou 6º ano, agora as "sondagens" mostram que vamos substituir Sócrates por Passos Coelho... desenganem-se todos aqueles que se fiam nas boas maneiras LUPINAS daquele "senhor". Dali, só vêm 2 coisas, a ausência de ideias próprias (é só um pretty-boy para combater a imagem política pouco ortodoxa do Sócrates - antes dele eram só velhos e gordos) e uma testa de ferro para os verdadeiros donos do país, os senhores "empresários" do PSD.

Se o PS ganhar, vamos ter mais do mesmo, mas se o PSD ganhar, nem as privadas se safam, pois vão ser os donos das privadas com assento parlamentar e vamos todos piar bem fino.

A solução? VOTEM! Vão às URNAS, mas VOTEM! Não metam votos em branco, nem nulos, VOTEM A SÉRIO. Dizer que não gosto do Paulo Portas é uma declaração minimalista, só a voz do "menino" me irrita da coluna ao ... cóxis! Mas se ele, mais o Bloco de Esquerda e os Comunistas tiverem de subir 5% cada para demonstrar aos partidos "grandes" (podiam ser grandes partidos) que começam a perder poder e que vão ter de mudar a política, que assim seja. Se não quiserem votar nestes, votem no Garcia Pereira, coitado, dêem-lhe um assento parlamentar, ou dêm o voto a um dos pequeninos... de que nos vale ter 50% de abstentção e 30% de votos nulos? Significa que somos governados pelo poder de voto de 20% da população e esses 20% são PS-PSD (bloco central, ao que parece). Mas da última vez que vi, 20% era a minoria! Então vamos votar, mas nos que contam. Nos que não contavam, mas, com o nosso voto, podem poder contar. E, mais que não seja, passam a contar para as estatísticas... ao invés de termos uma nota de rodapé, em letras minúsculas, a dizer que a abstenção foi 48% e houve 23% de brancos/nulos (como se votar em branco fosse o mesmo que o nulo), passa a haver um aumento de intenções de voto em partidos que antes, ninguém contava com eles.

Vamos dar uma nova oportunidade real ao país... mas temos de puxar por ele e exigir!

in http://oinconformado.blogspot.com

Intervenção Política I

É escusado... há demasiados interesses instalados. Se não colocarmos a boca no trombone e se não nos envolvermos, isto não vai mudar nunca. Assim sendo, vou começar a fazer uma série de intervenções políticas para tentar ajudar a esclarecer um pouco o estado das coisas:

Aqui vai o 1º (relatado por outro, alguns comentários meus):

Estive a ouvir, na SkyNews, notícias sobre o orçamento apresentado pelo David Cameron. (Ele ainda não conheceu o socratino)

Entre militares e funcionários do Ministério da Defesa são 45.000 que vão para casa.

Renovação da frota de submarinos atrasada 5 anos. (alguém tem o telefone do Portas?)

Desactivado um porta-aviões.

Na Força Aérea os Harriers acabam. (só davam despesa)

Fecham 2 bases na Escócia.

Cancelados novos aviões de reconhecimento.

No Exército, 20% dos tanques e blindados para o lixo. (aqui compram-se blindados ESSENCIAIS para A SEGURANÇA de uma cimeira... mas não chegam a tempo e a cimeira decorre sem problemas... quero ver se os vão devolver)

Gigantescas reduções de despesa em todos os sectores do Estado. (Aqui são algumas, pronto)

Poupança de mais de 20 mil milhões por ano, durante os próximos 5. (tal e qual aqui... espera, estava distraído... 20 mil milhões? SADOF)

No total, uma redução na ordem dos 25%. (aqui também, à custa dos trabalhadores)

Não ouvi uma única referência a aumento de impostos ou corte de salários e pensões!!!

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quarta-feira, setembro 15, 2010

Subway gals

As rápidas, mas repetidas viagens de metro pelas ruas da capital, fazem-nos pensar em como melhor ocupar o tempo. Uno ou paciência no (not so) smartphone, não dá quando se viaja em hora de ponta (desculpe, esse pé é meu, desculpe, vou tentar mover o cotovelo), pelo que resta o poder de observação.

E aqui, o melhor que encontro, é tentar classificar o sexo oposto conforme estas 4(?) categorias:

1- Já me arrependi de ter olhado - se olhar outra vez é pura curiosidade mórbida e tenho de ir ao psic;
2- Ok, olhei, no problemo, mas não vale a pena insistir;
3- Olhei e provavelmente vou olhar outra vez;
4- Ah, as viagens assim ainda são mais curtas - oh, já acabou?

Escusado será dizer que as de categoria 1 (sou do contra) são tão bonitas como um autocarro da Carris depois de um acidente em que desfez a frente... e as de categoria 4 são de tirar a respiração (pelo menos enquanto não as ouvimos falar). Um bocado como a escala de Richter e Mercali, ou Saffir-Simpson, podemos chamar-lhes mulheres terramoro, ou mulheres-furacão :).

E pronto, é assim que por vezes vou ocupando as minhas manhãs :).

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segunda-feira, julho 12, 2010

Real vs Virtual

Reconstituição da famosa anedota picante, mas com muito menos sumo (daatoria do Your's Trully):

- Ó Pai, o que é a realidade virtual?
(o pai pensa 1 pouco)
- Então, é fácil. Vou pegar no futebol. No europeu fomos eliminados pelos Campeões Europeus. Agora, no mundial, fomos eliminados pela mesma equipa, que se tornou Campeã Mundial, certo?
- E...?
- Então, virtualmente somos vice-campeões, tanto Europeus, como Mundiais!
- Mas...?
- Na realidade somos umas putas vendidas a interesses que não se coadunam com as expectativas que se criam da selecção nacional.

Mais tarde o flho pergunta ao pai: Ó pai, mas de quem é a culpa? É do Treinador?
O pai, paciente, explica: Filho, a culpa nunca é só de 1. Essa mania de que a culpa morre sozinha é um disparate tremendo que só serve para criar bodes expiatórios...
- Bodes expi-a-quê?
O pai sorri: Filho, a culpa é de todos aqueles que, não conseguindo defender o seu ponto de vista com humildade e verdade, não conseguem chegar a um compromisso. E daqueles que, podendo fazer mais e melhor, não o fizeram.

Parabéns à Espanha!

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quarta-feira, junho 09, 2010

T'is is a men's world, Hun

Este não é um post machista nem misógino, ou pelo menos não tem nenhum fundamento nessas bases...

É a minha realidade, a minha análise da situação que eu encontro nas mulheres que ao longo da minha vida se cruzaram comigo e das outras que não conheço, mas sobre quem a informação viaja por todos os meios ao seu alcance.

Vou tentar ir por partes, como o estripador:

Parte 1 - Falta de Homens

O facto de haver menos nascimentos de bebés do sexo masculino alimenta todas estas e as outras situações (razão pela qual movi esta frase para o início) que vou relatar.

Claro que há muitos elementos do sexo masculino, mas desde a emancipação da mulher que esta evoluiu socialmente muito mais que os homens. Talvez isso explique algumas coisas como o facto de, nos últimos anos, ter havido um aproveitamento (momentâneo, falhado), especialmente da parte das indústrias de Marketing (MKT) da tentativa de alguns homens (os filhos e netos das emancipadas) acompanharem essa evolução da mulher, para tentar estabelecer um padrão masculino - estou a falar do metrossexual - apenas para se perceber aquilo que muitos homens a duras penas aprenderam ao longo da vida. Que a mulher é um bicho tão complexo que não quer um homem padrão, não quer um homem que passe mais tempo em frente ao espelho que ela, por muito bonitos que possam parecer (não sei se são, se não) um David Beckam, ou Miguel Veloso... quer um homem "patrão", seguro de si e que lhe consiga transmitir alguma dessa segurança. E, condição das condições, si ne qua non, que a ame, com todos os seus (dela) defeitos e feitios, acima das virtudes. Posso, portanto, afirmar que "o mercado", usando linguagem financeira, funcionou em pleno, havendo muitos elementos do sexo masculino e poucos Homens (homossexualidade à parte - para quem me entende), a cotação dos Homens subiu e dos bonitos e elegantes então, upa, apenas para estabilizar à medida que a decalage entre o comportamento (social) entre homens e mulheres ia diminuindo. Os papéis já não são tão distintos, para além de já não haver a história de a mulher ficar em casa a tomar conta dos filhos (embora eu entenda que socialmente tivemos um retrocesso demasiado - mas adiante), há alguns (aqui o escriba incluído) que resolveram experimentar o prazer de acompanhar a evolução da prole pelo tempo máximo que a Lei o permite (e mais houvesse). Aqueles que não acompanham a evolução que o tempo impera, terão de encontrar uma mulher à antiga, com os valores do tempo das nossas (bis)avós... ou fingir e mentir, aumentando a cotação dos que são the real deal.

Parte 2 - As diferenças invisíveis

Todos queremos encontrar o amor, não é contra esta situação que vou atentar... a ver se me consigo explicar sem perder este "Norte".

Numa situação igual, os homens lidam melhor com a ausência de companheiro que as mulheres. Não falo de manipulações, de pessoas que entregaram fortunas a troco de alguma companhia (novamente, por amor, não falo - ainda - de prostituição), pois isso é uma característica própria de algumas pessoas e uma predisposição noutras. A verdade é que o homem é um animal, à semelhança do resto da Natureza, muito mais carnal e menos emocional, que a mulher. Ao homem o amor chega em doses mais pequenas do que à mulher. Mesmo a cena de arranjar parceiros de ocasião (engates), amizades "coloridas", recorrer a prostituição, ou mesmo a mais grave, de assumir uma relação com alguém com quem não se está à partida predisposto a partilhar uma vida, é entendida com muito mais ligeireza, leviandade até, pelo homem, que pela mulher (havendo claras excepções, sempre). Sem quere recorrer, ou sequer inventar chavões, a verdade é que não é incomum ver um homem nos seus 40's, ou mais, bem apresentado, bem vestido, com uma boa moral (não no sentido eclesiástico) e com uma bela mulher ao seu lado e sem se stressar muito se ela é namorada, amiga, ou algo mais, mas na mulher a coisa pia mais fino. Para o homem é mais fácil conquistar a companhia de uma parceira mais nova, ou bonita, que o contrário. Sendo quase certo que o pedido de casamento parte do homem (há coisas que ainda são tradicionais), o certo é que todo o processo que leva até esse momento é maestralmente conduzido pela mulher, especialmente quando elas dizem que não querem casar já :). A predisposição natural das mulheres para juntar trapos (seja pelo matrimónio, ou não) e constituir família é maior, de resto em linha também com a generalidade das fêmeas da Mãe Natureza.

Parte 3 - Finalmente, as mulheres

E a culpa de tudo isto é de quem? Não, não é dos homens, é das próprias mulheres - novamente, não é misoginia. Com o mercado a funcionar em pleno, as formas de encontrar e manter um Homem em sua companhia são variadas e as estratégias, inconscientemente aprendidas durante o crescimento da pessoa. Na falta de um Homem, um elemento do sexo masculino que corresponda a alguns (mesmo que poucos) dos predicados, serve. A resignação nas mulheres é maior o que explica também a disparidade dos números, quando falamos em percentagem dos homens que atinge o orgasmo numa relação sexual, vs as mulheres. No homem o orgasmo é quase mecânico, nas mulheres, para-citando o Californication, é como desactivar uma bomba mental, com centenas de fios ligados a diferentes "componentes". Um passo em falso e a bomba detona, focando a cabeça da mulher naquele pormenor em específico e já não a deixando mais livre para gozar o momento.

Qual é o passo mais fácil? Ser bonita! Ou melhor, ser mais e mais e mais bonita! Mais bonita que as amigas, mas especialmente que as "enimigas". E esta é a preocupação principal de 99% das mulheres, tudo o resto vem em segundo plano. Em algumas isto depois altera-se na parentalidade, noutras piora! Digam o que disserem, na minha análise (e sublinho, minha) a preocupação constante com a beleza externa é passada de mães para filhas, mesmo nas formas mais indeléveis. O dinheiro que as mulheres gastam em cosmética é exorbitante e isso não me assusta, mas não há um limite a não ser o quanto se ganha ao fim do mês, ou o quanto os progenitores dão de mesada! Não há um descernimento eficaz do que é trigo e joio e, na ânsia, vão a correr atrás do prejuízo, só se preocupando (especialmente em PT) com a beleza quando ela começa a falhar (e aí já é tarde, por muito que o creme Je Ne Sais Quais, dos laboratórios L'Argent apregoe que o seu creme consegue fazer a pele, as estrias, ou a celulite, voarem 10 anos para trás na máquina do tempo). Também quero ser sincero... esta geração das netas das emancipadas foi apanhada numa encruzilhada. Com sorte nas próximas o problema resolve-se. As mulheres passaram, de uma forma estável e geral (não falo de princesas que se tornaram raínhas), de donas de casa e mães de filhos até perder conta, a CEO's de multinacionais (e, em muitos casos, sem filhos, ou com apenas 1 ou 2) num período relativamente curto no que confere à história do homem moderno. Como tal há uma certa tendência natural em rejeitar os ensinamentos antigos das suas avós. Mas, como eu costumo afirmar, nada é 100% mau e nada é 100% bom. O que se perdeu foi que a mudança repentina de papéis criou um vazio que foi preenchido com refugo. A única coisa que permaneceu, que colou, digamos assim, foi a preocupação com a imagem. E, como tudo onde não há concorrência, essa preocupação é exacerbada e exagerada. A quantidade de mulheres que decide fazer cesariana, só para dar um exemplo, contra todos os incovenientes para ela e para a criança, por imperativos falsos (muita vezes aliciada por interesses financeiros privados) e contrários ao bom desenvolvimento do ser humando, é preocupante. A falta de exercício físico (costumo dizer que só se olham ao espelho de frente), que permite manter o tónus muscular é substituída por refeições leves, para eliminarem a gordura, mesmo aquela que necessitamos para proteger as articulações, por cremes e por operações plásticas e injecções de botox. É uma coisa atrás da outra e da outra, numa avalanche que depois não há como parar. A falta de educação também está na ordem do dia. Uma mulher não pode ser educada sem ser submissa? Mas que raio? Claro que sim! Mas não o é, ou melhor, assume que a primeira implica a segunda, então vai de ser (des)propositada. Mas desenganem-se aquelas que acham que a beleza é tudo, que é o passaporte para a fama e fortuna. Mesmo naquelas para quem é, se depois não houver inteligência, ou pelo menos esperteza, por trás, essa fama e fortuna vai pelo ralo abaixo, geralmente no pior momento, que é aquele em que precisamos... no avançar da idade! A beleza é o chamariz, claro, sem atracção física o ser humano não se interessa rapidamente, leva uma eternidade até conhecer e a deixar-se levar pelo sentimento. Mas, pasme-se, tão rápido quanto chegaram,vão-se embora aqueles que, depois de verem, provarem, experimentarem e, muitas vezes, fazerem das tripas coração essas mulheres lindas por fora. Porque elas não são interessantes, esvaziaram-se de conteúdo em prol da forma. Mas, no expoente máximo, se a beleza é ser como um manequim (e não uso a palavra modelo propositadamente) então o futuro é numa qualquer montra de loja! Acho que isto exprime bem o rídiculo de toda a situação. Só de um manequim se exije apenas forma. E quando o interesse se perde em conjunto com a tesão, a companhia esvai-se.

Neste ponto quero honrar a minha actual companheira. Embora considere que pudesse fazer um pouco mais de exercício físico, o facto é que a sua companhia é, tem sido e espero que continue a ser, uma Rosa (obviamente, com os seus espinhos - mas não temos todos?).

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